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INVESTIGACIÓN UNIVERSITARIA MULTIDISCIPLINARIA - AÑO 10, No10, DICIEMBRE 2011
Facultad de Ciencias Humanas
Introdução
O signo visual nas mídias e as teorias semióticas
Na atualidade, os signos visuais nas mídias são alguns dos mais importantes elementos de comuni- cação social. Para compreender as potencialidades sígnicas das imagens midiáticas, diversos pesquisa- dores analisam fotos, cores, tipografias, ilustrações, entre outros elementos visuais veiculados em revis- tas, jornais, televisão, internet etc. Grande parte desses estudos visa explicar as particularidades das representações visuais, como tipos de signos que ob- jetivam transmitir mensagens específicas através do estabelecimento de relações sincréticas com signos de outras naturezas (verbais e sonoros). Para Jure- mir Machado da Silva (2010, p. 91), a missão desses pesquisadores é “fazer vir à tona o encoberto”. Ou seja, apresentar, como resultados de suas pesquisas, os mecanismos e técnicas de linguagem utilizadas pelos produtores do discurso. Para realizar esse empreendimento, os pesquisadores recorrem a uma série de métodos, entre eles as teorias semióticas.
Segundo Winfried Nöth (1997, p. 03), a expansão dos estudos semióticos nos últimos anos corresponde à expansão das mídias no século XX. Lúcia Santaella também compartilha dessa crença: “o aparecimen- to da ciência semiótica desde o final do século XIX coincidiu com o processo expansivo das tecnologias de linguagem” (2002, p. XIV). Em Semiotic of the media, livro que reúne os trabalhos apresentados no Congresso Internacional de Semiótica das Mídias, realizado em 1995 em Kassel, Nöth reúne um grande número de análises que cuidam dos diferentes tipos de linguagens presentes nos sistemas midiáticos, entre elas as linguagens visuais.
A partir de uma abordagem semiótica, muitos pes- quisadores têm se dedicado ao estudo da imagem como signo. No livro Imagem: cognição, semiótica, mídia, Santaella e Nöth (2005, p.p. 33-38) apresen- tam, de forma concisa, as mais importantes corren- tes teóricas que tratam do tema e de suas interfaces com os diferentes tipos de sistemas. Parte desses estudos é desenvolvida por pesquisadores ligados à International Association for Visual Semiotics (IAVS). Göran Sonesson, um dos fundadores da IAVS, dedica grande parte de seu trabalho à discussão do papel da imagem como um tipo de signo particular. Para Sonesson (2003), a semiótica visual possui duas tarefas: determinar as especificidades da imagem como signo e descobrir as particularidades dos
diferentes tipos de imagens: desenho, pintura, foto- grafia, ilustração digital, dentre outros. Motivados pela mesma convicção, pesquisadores das distintas correntes semióticas procuram compreender como essas teorias podem colaborar para maior compre- ensão das articulações internas dos mais diversos sistemas midiáticos.
Segundo Sonesson, na semiótica moderna, existem três modelos básicos que servem às pesquisas empí- ricas voltadas à compreensão dos signos visuais: o modelo da semiótica francesa, resultante dos estu- dos de Algirdas J. Greimas que se desenvolvem nos trabalhos de Jean Marie-Floch e Felix Thürlemann; o modelo da escola de Liége, com os trabalhos dos lingüistas Jacques Dubois e Jean-Marie Klinkenberg; e a gramática semiótica da imagem proposta por Fernande Saint-Martin. No Brasil, as teorias semió- ticas como técnicas aplicadas desenvolveram-se com base nos estudos franceses, com especial destaque também para os modelos greimasianos; na teoria semiótica do norte americano Charles S. Peirce; e nos estudos culturais (Cardoso, 2008).
Essas bases teóricas, de modo geral, fornecem conceitos, modelos e métodos que permitem a análise de uma série de objetos concretos e, ainda que apresentem procedimentos próprios para a leitura de signos desse tipo, confluem para um fim comum: a compreensão das articulações internas das linguagens. O objetivo delas, parafraseando Silva (2010, 15), “é fazer vir à tona o que se encontra, muitas vezes, praticamente na superfície do vivido”. Desse modo, as teorias semióticas permitem obser- var a estrutura do texto, os recursos e técnicas de linguagens utilizados em sua composição e, como bem lembra Santaella:
Permite também captar seus vetores de referencia- lidade não apenas a um contexto mais imediato, como também a um contexto estendido, pois em todo processo de signos ficam marcas deixadas pela história, pelo nível de desenvolvimento das forças produtivas econômicas, pela técnica e pelo sujeito que as produz (Santaella, 2002, p. 05).
Em Pictorial semiotics, perceptual ecology, and Gestalt theory, Sonesson (1993, p. 04) lembra que, de certo modo, os estudos da linguagem visual iniciam-se juntamente com os estudos das imagens nas mídias, quando Roland Barthes (Rhethórique de I’Image, 1964), em sua primeira experiência de análise dos signos visuais, acaba por inaugurar os

