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INVESTIGACIÓN UNIVERSITARIA MULTIDISCIPLINARIA - AÑO 10, No10, DICIEMBRE 2011
Facultad de Ciencias Humanas
Os trabalhos produzidos nesses grupos são co- mumente apresentados em congressos da área de comunicação. Em alguns desses eventos, como nos congressos anuais da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação (COMPÓS – http://www.compos.org.br) e da So- ciedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares de Comunicação (INTERCOM – http://www.intercom. org.br), as pesquisas são apresentadas em grupos que tratam especificamente das análises de pro- cessos de linguagens. Em alguns casos, a ementa refere-se explicitamente aos estudos semióticos. Essas pesquisas também costumam ser apresentadas em eventos organizados pelos próprios centros. Nesses, é natural os trabalhos fazerem uso de uma única base teórica (como, por exemplo, na Jornada de Estudos Peirceanos – evento anual organizado pelo CIEP na PUC-SP).
Além das publicações em anais, as análises semióti- cas aparecem constantemente nos mais conceitua- dos periódicos da área, assim como em uma série de livros e coletâneas. Alguns periódicos, devido à área de concentração ou linha de pesquisa do programa ou grupo ao qual está vinculado, demonstram gran- de proximidade com os estudos semióticos (como, por exemplo, a revista Galáxia, do COS/PUC-SP, e a revista Matrizes, do programa em Ciências da Comunicação da USP). Outros periódicos assumem explicitamente seu viés semiótico, como é o caso da revista Significação – do Centro de Pesquisa em Poética da Imagem, da USP. Também é comum en- contrar artigos que façam uso dos procedimentos metodológicos das teorias semióticas mesmo em revistas que não são vinculadas diretamente a esse campo de estudo.
Como pôde se observar, de modo geral, os estudos semióticos no Brasil permeiam os estudos de co- municação em diversas linhas e níveis de pesquisa (graduação, mestrado e doutorado). Os diferentes procedimentos teórico-aplicados (o percurso gera- tivo de sentido da semiótica greimasiana, a classifi- cação de signos peirciana, os conceitos da semiótica sistêmica russa, entre outros instrumentais) permi- tem estudar os diferentes sistemas sociais e culturais, assim como os distintos meios de comunicação e suas respectivas estratégias discursivas.
Ainda que o panorama dos estudos semióticos no Brasil esteja mudando com os encontros bienais da Associação Brasileira de Estudos Semióticos (ABES), que se iniciaram em 2001, é bastante comum en-
contrar pesquisadores vinculados à determinada linha teórica que consideram seu método de análise mais eficiente do que os métodos e procedimentos utilizados por seguidores das outras correntes. No entanto, ao adotar uma determinada base teórica, o pesquisador muitas vezes não se dá conta que os métodos são meios para atingir um fim. Ou seja, se a preocupação do pesquisador é compreender determinada linguagem, deveria fazer uso de méto- dos e procedimentos que permitam examinar o seu objeto. Considerando que neste trabalho a atenção se volta especificamente para os estudos dos signos visuais nas mídias, entende-se que a base teórica não deveria ser determinada de antemão. Não é o objeto que deve se conformar ao método, mas sim o método que deve servir ao objeto.
Recorrendo a Heidegger, Silva argumenta: a técnica não é neutra, ela “implica uma visão de mundo” (2010, p. 35). Seguindo esse raciocínio, não há como negar que toda base teórica é também uma visão de mundo. O semioticista, nesse caso, deve ter consciência que o referencial teórico adotado, assim como os métodos e modelos que derivam dele, ainda que sirva para compreender o seu objeto, “o faz conforme seu padrão” (Ibid, p. 19). O faz sob um viés. A teoria imposta ao objeto – com seus conceitos, métodos e modelos –, tende a conformar o objeto ao instrumental adotado, ao padrão adota- do. Para Silva: “quando o pesquisador se submete à metodologia, perde o caminho do descobrimento” (Ibid, pp 20-25). Referindo-se especificamente às pesquisas de semiótica aplicada: quando utiliza os mesmos instrumentais em diferentes objetos, o semioticista corre o risco de encontrar sempre as mesmas respostas.
Partindo dessa crença, pode-se afirmar que, quando um semioticista vincula-se a uma única corrente teórica, como quem segue às normas de um partido político ou de uma religião, deixa de perceber que muitas vezes está analisando objetos unicamente para provar a validade do procedimento adotado. Sua preocupação, nesse caso, parece estar comple- tamente voltada para o domínio das técnicas de análise. Nessa condição, é natural que não perceba as contribuições que outras correntes teóricas po- dem fornecer ao seu campo de estudo. Como bem lembra Silva (2010, p. 36): “Um referencial teórico que não é posto a dialogar com seus oponentes facilita a execução de um trabalho acadêmico, mas não passa de um monólogo bem cômodo”.

