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INVESTIGACIÓN UNIVERSITARIA MULTIDISCIPLINARIA - AÑO 10, No 10, DICIEMBRE 2011
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Facultad de Ciencias Humanas
estudos da semiótica da publicidade. Desde então, os estudos dos signos visuais seguem pari passu com os estudos da semiótica das mídias, ultrapassando os aspectos intrínsecos à natureza da imagem para a observação das relações sincréticas estabelecidas entre os signos visuais, verbais e sonoros.
Desenvolvimento
As teorias semióticas no Brasil
No Brasil, a origem dos estudos de semiótica que se fundamentam nas idéias de Ferdinand de Saussure – que se tornaram públicas a partir da obra Curso de Lingüística Geral –, encontra-se, nos trabalhos de Edward Lopes e Ignácio Assis Silva, na Faculdade de Letras e Estudos Literários da UNESP-Araraquara, na década de 1960 (Oliveira, 2010, p.p. 139-140). Os conceitos de Saussure foram fundamentais para o desenvolvimento dos estudos de comunicação no Brasil. Além da semiologia sussuriana, Lopes e Assis Silva trouxeram ao Brasil as ideias de Algirdas J. Greimas. Em julho de 1973, o curso Semiótica da narrativa, ministrado por Greimas, deu origem ao Centro de Estudos Semióticos A. J. Greimas (CESAJG) (Ibid, p. 141). A tradução do dicionário Dictionnaire raisonné de la théorie du langage, de Greimas e Courtèr, em 1983, consolidou as ideias da teoria francesa entre os semioticistas brasileiros nos cam- pos “das línguas e seu ensino, estudos literários de prosa e poesia, estudos da visualidade, em particular, pintura e escultura, estudos audiovisuais de cinema e televisão, estudos da canção [...]” (Ibid, p. 142). Entre as teorias francesas, as ideias de Roland Barthes encontraram no Brasil um campo fértil que permitiu o amadurecimento dos estudos semióticos no país.
Um ano antes do curso de Greimas, em 1972, surgiu, na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) – sob coordenação da professora Lucrécia D´Aléssio Ferrara e iniciativa de Décio Pignatari e os irmãos Haroldo e Augusto de Campos, que atuavam no programa de Teoria Literária –, o Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Semiótica, “como um lugar de ensino e contato com a teoria filosófica do norte americano Charles Sanders Peirce” (Ibid, p. 144). Já os estudos da semiótica russa, foram disse- minados através do trabalho de Bóris Schnaiderman, que, na USP, criou o ensino da língua russa e tornou conhecida a teoria semiótica que se desenvolvia na União Soviética. As ideias de uma “semiótica da cul-
tura”, difundida nos textos russos, foi desenvolvida por Norval Baitello Jr. com base nos trabalhos de Ivan Bystrina, Harry Pross e Dietmar Kanper (Ibid, p. 144).
As bases teóricas adotadas pelos pesquisadores brasileiros podem ser localizadas em grande parte dos programas de pós-graduação em comunicação (PPGCom) recomendados ou reconhecidos pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior do Ministério da Educação (CAPES). Em muitas linhas de pesquisa desses programas, as ementas demonstram o profundo vínculo dos trabalhos com os estudos semióticos. Apenas como exemplo, pode- se observar essa inclinação nas seguintes linhas: Mídia e Linguagem, do programa da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE); Produção de Sentido na Comunicação Midiática, do programa da Universidade Estadual Paulista Júlio Mesquita Filho (UNESP/Bauru); Linguagem e Produção de Sentido, do programa Ciências da Comunicação da Universidade de São Paulo (USP); Imagem, mídia e linguagem, do programa de Comunicação Visual da Universidade Estadual de Londrina (UEL); Mídias e Estratégias Comunicacionais, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). O programa de Comunicação e Semiótica da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (COS/PUC-SP), assumindo abertamente sua vocação aos estudos semióticos, concentra suas pesquisas na área intitulada Signo e Significação nas Mídias.
Os estudos de semiótica desenvolvem-se, ainda, em grupos e centros de pesquisas vinculados a esses programas, como, por exemplo: o Centro de Pesquisas Sociossemióticas (CPS) – que se apre- senta como “um pólo brasileiro de produção de conhecimento e de formação de pesquisadores em Semiótica Discursiva” (http://www.pucsp.br/ pos/cos/cps); o Grupo de Pesquisa para o Estudo da Semiosfera (OKTIABR) – que se fundamenta nas distintas teorias russas (http://semiosfera.iv.org.br/ portal/grupo); o Centro Interdisciplinar de Semió- tica da Cultura e da Mídia (CISC) – que “se propõe a promover pesquisas e estudos a respeito de fe- nômenos/textos da cultura” reunindo referências de diversas origens, entre elas a semiótica soviética (http://www.cisc.org.br/); e o Centro Internacional de Estudos Peirceanos (CIEP) – que se dedica exclu- sivamente aos estudos que se originaram da obra de Charles S. Peirce (http://www.pucsp.br/pos/tidd/ ciep/indexciep.html). Além destes, destacam-se: Grupo Casa (UNESP-Araraquara), GES (USP), SEDI (UFF), GESCOM (UNESP-Bauru). Muitos desses res- ponsáveis pela publicação de periódicos na área.


































































































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