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INVESTIGACIÓN UNIVERSITARIA MULTIDISCIPLINARIA - AÑO 10, No 10, DICIEMBRE 2011
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Facultad de Ciencias Humanas
Uma experiência de O Signo Visual nas Mídias
Em 2008, o grupo de pesquisa O Signo Visual nas Mídias, vinculado ao Programa de Pós-graduação em Comunicação da Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), divulgou uma série de dados que puderam demonstrar que há um número considerável de pesquisadores brasileiros que, objetivando compreender os signos visuais na publicidade, utilizam-se dos diversos instrumentais fornecidos pelas diferentes correntes semióticas (Cardoso, 2008). Fazendo uso de distintas bases teó- ricas, esses pesquisadores debruçam-se sobre as fo- tografias, ilustrações, cores, tipografias e grafismos. Ou seja, sobre todo tipo de signo visual, veiculados em praticamente todos os meios de comunicação social, que atuam como elemento de significação no material publicitário.
Nessa pesquisa, constatou-se que a maior parte desse tipo de estudo utiliza a base teórica francesa e adota os modelos de percurso gerativo de sentido e do quadrado semiótico. A obra de Greimas é a mais utilizada como referência, mas também é muito comum encontrar, nas aplicações de semiótica fran- cesa, referências aos trabalhos de Floch e Landowski.
Em menor número, aparece, nos textos brasileiros, a teoria semiótica desenvolvida por Peirce. Nessas pesquisas, pode-se perceber que a classificação de signos proposta pelo semioticista norte americano é a parte mais utilizada de sua teoria. Os pesquisa- dores que adotam a semiótica peirciana no Brasil comumente recorrem aos textos de Santaella.
Por fim, ainda que também não apareçam em grande número, os teóricos da chamada semiótica da cultura sempre estão presentes nas análises de semiótica publicitária desenvolvidas por pesquisa- dores brasileiros. Entre os autores mais utilizados por esses pesquisadores estão os russos Mikhail Bakhtin e Iuri Lotman. Não muito raro, surgem nes- sas pesquisas autores que adotam implicitamente as teorias semióticas – como Jean Baudrillard, Walter Benjamin, Edgar Morin ou Vilém Flusser.
Com base no resultado dessa pesquisa, o grupo O signo visual nas mídias iniciou, no segundo semes- tre de 2009, uma discussão sobre a aplicabilidade de determinados instrumentais semióticos prove- nientes das correntes teóricas mais utilizadas pelos pesquisadores brasileiros. Examinando a aplicação das teorias realizadas por pesquisadores brasileiros,
chamou a atenção o fato de que, apesar das espe- cificidades do caráter operatório de cada teoria, ainda que existam determinadas particularidades que caracterizem cada uma delas, de modo geral, as teorias confluem para um fim comum, se apre- sentam como instrumentais analíticos para o exame de objetos concretos. Cada um deles se propondo a investigar mais a fundo os elementos que compõem uma determinada mensagem, a mostrar o papel de cada tipo de signo como gerador de sentido. A proposição de uma pesquisa que permita aplicar os diferentes métodos em um mesmo objeto foi motivada justamente pela curiosidade de confrontar essas teorias na busca de pontos de proximidade e contraposição entre elas.
Em 2010, no GT Discurso y Comunicación, do X Congreso da Asociación Latinoamericana de Investi- gadores de la Comunicación (ALAIC, 2010), o Grupo de Pesquisa O Signo Visual nas Mídias, com auxílio da FAPESP, apresentou uma proposta de pesquisa que objetivava detectar pontos de simetria e assi- metria nos processos de aplicação das diferentes correntes teóricas. Tal proposta consistia na análise, por semioticistas de diferentes correntes teóricas, de uma peça publicitária produzida para internet.
Na elaboração do projeto de pesquisa pôdese per- ceber que não são poucas as variáveis que incidem sobre os pesquisadores no processo de análise. Primeiramente, percebeu-se a impossibilidade de um único analista fazer uso de diferentes instru- mentais para examinar o mesmo objeto. A partir do momento que alcança certos resultados aplicando determinado método, não há como o analista ignorar esses resultados para aplicar outro. Essa compreensão mostrou a necessidade de realizar as análises com diferentes pesquisadores.
Em seguida, percebeu-se que, em função do grau de conhecimento do objeto e das teorias utilizadas, diferentes pesquisadores, mesmo quando fazem uso dos mesmos instrumentais teórico, podem obter resultados com alguns traços pouco semelhantes. Essa variável indica ser necessário utilizar mais do que um pesquisador por corrente teórica.
Para resolver esses dois problemas, o grupo recorreu a centros de pesquisas especializados nas diferentes correntes semióticas e expôs as suas dificuldades. Depois de alguns contatos, o grupo passou a contar com o apoio do Centro de Pesquisas Sociossemió- ticas (CIEP/PUC-SP) e do Centro Internacional de


































































































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