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INVESTIGACIÓN UNIVERSITARIA MULTIDISCIPLINARIA - AÑO 10, No10, DICIEMBRE 2011
Facultad de Ciencias Humanas
Introdução
Som, música, canção no cinema
Tendo como premissa as afirmações de Máximo (2003) e Gorbman (1987) de que a música do cinema é anterior ao próprio cinema, por ter composto dra- mas musicados (melodramas), óperas e operetas, a linguagem musical sempre esteve presente no discurso cinematográfico. Nos primórdios do cinema, final do século XIX e início do XX, a música era separada da ação; ou se tratava de improvisação do instrumentista ou de temas conhecidos pelo público, utilizados, des- de então, para intensificar a emoção das cenas. No entanto, as condições dos instrumentos e das salas de exibição, que detinham a responsabilidade pelo acom- panhamento musical, muitas vezes eram precárias, e a penumbra dificultava a visão da partitura (quando havia) pelo solista.
Com advento do som no cinema, no final da década de 1920, o cinema pode reformular sua linguagem, descobrindo novas possibilidades estéticas, de acordo com Prendergast (1992). No entanto, havia incom- patibilidade entre as câmeras pesadas, obsoletas e ruidosas da época – que impediam os movimentos de câmera e a agilidade da cena – e as exigências de cada vez mais ritmo e velocidade da banda sonora. Acrescente-se que a novidade era temida por alguns artistas e teóricos receosos de que o som diminuísse a força poética da banda visual e desmontasse o com- plexo de códigos não-verbais do cinema, fazendo dele um ‘teatro filmado’, conforme explica Carrasco (2003).
Enquanto em 1926 William Fox testava o Movietone – método criado por alemães e suíços em que o som era gravado no próprio filme –, os irmãos Warner a Bell Telephone e a Western Electric já vinham trabalhando no Vitaphone: o som era gravado em disco de 40 cm de diâmetro e sincronizado com o filme por meio da conexão dos motores da vitrola com o do projetor. Esse processo foi usado pela primeira vez no filme Don Juan (Alan Crosland, 1926). Historiadores do som no cinema atribuem a The Jazz Singer (Alan Crosland, 1927), o título de primeiro filme totalmente cantado do cinema, após o fracasso total ou parcial de experi- ências anteriores, como em Don Juan. Em 1929, a Fox aperfeiçoou o Movietone, possibilitando a gravação sonora na própria película de celuloide.
Desenvolvimento
Os musicais: principais características
A febre dos musicais em Hollywood data de meados da década de 1930 e vigorou por cerca de 20 anos. A pesquisadora em tango-canção Heloísa Valente (2003) atribui o sucesso desse gênero cinematográfico, entre outros aspectos, à boa receptividade do público às operetas e outros tipos de dramas musicais que o antecederam. Segundo ela, desde o surgimento do ci- nema sonoro, os cantores são convidados a encenarem papéis principais ou coadjuvantes: “O mero sucesso de um cantor é suficiente para que protagonize um filme, mesmo se não revela talento dramático” (Va- lente, 2003, p. 119).
A autora, citando o compositor e musicógrafo Michel Chion (1995), destaca a predominância de protago- nistas e vozes masculinos – como Bing Crosby, Fred Astaire, Frank Sinatra –, dada a estridência das vozes femininas, devido às deficiências da tecnologia de fonocaptação de então para a gravação de sons de alta frequência (agudos).
Playback e dublagem passaram a ser adotados para solucionar um outro problema, desta vez de ordem estética: a falta de segurança ou de afinação dos atores-cantores. Outra característica interessante dos musicais levantada por Valente é o envolvimento da dança e da coordenação coletiva dos atores-figuran- tes-bailarinos e a sincronização de suas performances com a música, como em Rio Rita (Luther Reed, 1929), da primeira fase, e Singin’ in the Rain (Stanley Donen, 1952) da segunda fase de auge do gênero.
Entre as fases dos musicais de 1930 e 1950, a trilha sonora para cinema era comparada aos poemas sin- fônicos de Richard Strauss, tal a sua grandiloquência e caráter épico. O fim dos anos de 1940 foi marcado pelo uso da música em função do gênero: os filmes noir, os suspenses e os romances eram ambientados pela música conforme suas peculiaridades estéticas e narrativas, com o objetivo de gerar determinados efeitos sensoriais no público.
O reinado da canção popular no cinema
Na década de 1960, a música popular é plenamente incorporada à trilha sonora cinematográfica, quando a música orquestral recua para funções subjacentes. Trata-se da fase aurea dos cancionistas no cinema, como Burt Bacharach, Lalo Schifrin e Henry Mancini.


































































































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